O poder da escuta durante o atendimento de vítimas de
violências

Uma das grandes contribuições da Lei que garante a Escuta Protegida
é a preocupação com a voz das crianças e dos adolescentes vítimas
de violências sexuais. Métodos como o depoimento especial e a
escuta especializada, por exemplo, foram implementados durante o
atendimento para tornar esse processo menos doloroso e
complicado.
Para entender esses e outros benefícios, conversamos com a
psicanalista Graça Pizá, pesquisadora da área de violências sexuais
contra crianças e adolescentes e produtora do filme afetosecretos
(2009), que teve apoio da Childhood Brasil.
Você já ouviu falar sobre a escuta psicanalítica? Saiba mais:
1) O que é a escuta psicanalítica? Qual a relação
dela na escuta forense?
Esse tipo de escuta pressupõe, primeiramente, um psicanalista
capacitado a tratar a vítima com intenção de tratamento. Seu
objetivo será sempre eliminar ou diminuir o sofrimento de uma
angústia por meio da identificação de sinais de abuso. Assim, a
escuta psicanalítica é uma proposta de intervenção profissional no
sofrimento causado pela violência sexual.
A escuta forense, por sua vez, não configura um tratamento, mas é
direcionada ao ocorrido e busca a voz da criança, que tem valor.
Para um atendimento aprofundado, é importante que os dois tipos
aconteçam em conjunto.
2) Qual o grande benefício proporcionado pela escuta
psicanalítica durante o atendimento de vítimas de violência
sexual?
Em casos de violência sexual, é importante que a criança seja
acolhida em ambientes especiais. E isso é previsto pela
implementação dos Centros de Atendimento Integrado, locais que
fazem uso das escutas forense e psicanalítica. Acredito que o uso
conjunto desses dois métodos seja o grande benefício proporcionado
pelos psicanalistas durante o processo de atendimento.
3) A escuta psicanalítica ajuda a suavizar os
traumas e sofrimentos causados pela violência sexual?
Com certeza, afinal a vantagem desse tipo de escuta é que o
psicanalista seja especializado em encontrar sinais e signos que a
criança abusada transmite durante uma conversa, por exemplo. O
profissional sabe identificar quando a vítima está vivendo uma
experiência adulta em um corpo de criança e esse é o primeiro passo
para poder ajudá-la.
É importante que a criança consiga expressar o que está sentindo,
seja por palavras ou sinais. Durante o depoimento, esse tipo de
escuta voltada para a vítima traz muitos benefícios.