Grandes
empreendimentos são importantes para o desenvolvimento local e
nacional, mas geram impacto significativo nas populações do
entorno, e crianças e adolescentes são ainda mais vulneráveis a
esses impactos.
Mas por que isso acontece? Por características que são próprias dos
grandes empreendimentos.
• Migração massiva de trabalhadores para a região, trazendo muitas
vezes homens sem vínculos com a comunidade local.
• Trabalhadores sem oportunidade de lazer, colocados em estruturas
de alojamentos com pouco (ou nenhum) acesso ao convívio
familiar.
• Deslocamento de famílias, frequentemente colocando-as em uma nova
localidade na qual desconhecem a comunidade e seus moradores, o que
também impactará na evasão escolar.
• Empreendimentos em territórios distantes de grandes centros ou na
periferia de cidades maiores, que já são mais vulneráveis devido a
fatores econômicos e sociais, têm situação agravada.
Ações realizadas por meio do Programa Grandes
Empreendimentos
A Childhood Brasil atua no enfrentamento da exploração sexual de
crianças e adolescentes em grandes empreendimentos, influenciando
políticas públicas e privadas, diagnosticando e fortalecendo o
Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes,
informando e sensibilizando trabalhadores para atuarem como agentes
de proteção por meio da formação de multiplicadores nas empresas
que ampliem o conhecimento da causa, além de construir e disseminar
metodologias e indicadores.

A Childhood Brasil ainda defende um marco legal que
obriga governos e empresas a avaliar o impacto, os riscos e as
ocorrências de exploração sexual de crianças e adolescentes em
grandes empreendimentos.
A partir de pesquisa realizada em 2009, a Childhood Brasil
participou do desenvolvimento de metodologias e indicadores que
podem ser utilizados pelas empresas e que constam no Projeto
Desenvolvimento Local & Grandes Empreendimentos, do Centro de
Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (2013 e
2014).
Da mesma forma que governos e empresas, a sociedade civil também
tem seu papel, seja ao exigir o cumprimento do ECA, seja ao cobrar
dos órgãos públicos e das empresas responsáveis pelo empreendimento
a implementação de projetos de prevenção e enfrentamento da
exploração sexual de crianças e adolescentes, além de denunciar
sempre que houver suspeita de violação de direitos humanos.
Em 2017, a Childhood Brasil, em parceria com o Grupo de Direitos
Humanos e Empresas (GDHeE) e a Escola de Direito de São Paulo
(Direito SP), lançou o
Guia de Avaliação de Impacto em Direitos
Humanos. O material, inédito no Brasil, tem a função de
orientar empresas do setor de infraestrutura sobre como prevenir
ações que impactam negativamente na vida de crianças e
adolescentes, além de incentivar a criação de políticas públicas de
proteção. O guia foi elaborado, de forma colaborativa, por 40
empresas e desenvolveu uma matriz de avaliação de impacto, que
auxilia o setor de grandes empreendimentos tanto na avaliação de
risco quanto nos planos para respeitar os direitos humanos.
Para acessar este material,
clique aqui.
Assessoria
A Childhood Brasil assessora o setor privado com um conjunto de
soluções que prepara o empreendimento para chegar, de forma
diferenciada, ao território. Com isso, é possível traçar um plano
de atuação local que considera a empresa, o poder público e seus
serviços, além da sociedade civil.
Pesquisa
Em parceria com a Universidade Federal de Sergipe e a Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, realizamos a pesquisa Os Homens por
trás das Grandes Obras do Brasil. O objetivo dela é compreender o
perfil, contexto de vida e trabalho dos funcionários de grandes
obras no Brasil e seu envolvimento com situações de exploração
sexual de criança e adolescentes. A pesquisa revelou que:
Políticas Públicas
A Childhood Brasil promoveu um workshop que contou com a
participação de 14 organizações para a elaboração conjunta de uma
matriz de convergência para o setor, incluindo a formatação de uma
proposta de política pedagógica de abordagem e desenvolvimento de
materiais para a aplicação do programa. Esse trabalho foi a base
para a criação da Agenda de Convergência para Grandes Obras,
liderada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Governo
Federal.
Além disso, participamos do Seminário sobre o Protocolo de Ações
para a Proteção dos Direitos de Crianças e Adolescentes, promovido
pela Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
(SNDCA). O protocolo estabelece obrigações para o Poder Público,
empresas (estatais e privadas) e instituições financeiras que devem
ser adotadas desde o planejamento até a execução de uma obra, além
de apresentar instrumentos para fiscalização e controle social por
parte das organizações da sociedade civil. No seminário foram
apresentados os resultados da consulta pública sobre o tema e
discutidas as estratégias de implementação das ações previstas no
protocolo.